Na Praia Brava, em Florianópolis, um cachorro idoso (10 anos) conhecido por todos fazia parte do cenário cotidiano. Orelha, como era chamado, não tinha um dono único — tinha muitos. Comerciantes, moradores e frequentadores cuidavam dele como um símbolo silencioso de convivência e afeto em um dos pontos mais movimentados do litoral catarinense.
Essa rotina foi quebrada em janeiro de 2026.
O que aconteceu
Orelha foi encontrado gravemente ferido, com sinais claros de maus-tratos e agressão. Levado para atendimento veterinário, a equipe constatou que o estado do animal era irreversível. Diante do sofrimento extremo, foi realizada a eutanásia, decisão que marcou definitivamente a comunidade local.
A notícia se espalhou rápido. Não apenas pela morte de um cachorro, mas pelo que ela representava.
A investigação
Segundo informações, a Polícia Civil apura o envolvimento de adolescentes, o que enquadra o caso como ato infracional, nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Por lei, nomes e detalhes que identifiquem os menores não podem ser divulgados.
Além disso, a investigação avançou para outro ponto sensível: três adultos passaram a ser investigados por suspeita de coação, por possível tentativa de influenciar testemunhas ligadas ao caso. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e aparelhos eletrônicos foram recolhidos para análise.
É importante separar os fatos das narrativas que circulam nas redes sociais: até o momento, não há confirmação oficial de envolvimento direto dos adultos nas agressões ao animal, mas sim indícios de tentativa de interferência no processo investigativo.
Por que o caso ganhou tanta repercussão
Orelha não era “apenas um cachorro”. Ele representava:
- a ideia de animal comunitário, protegido informalmente por todos;
- a confiança de que espaços públicos também podem ser espaços de cuidado;
- e, agora, um alerta sobre violência, responsabilidade e limites da lei.
A comoção se espalhou porque o caso toca em feridas sociais profundas: a sensação de impunidade, o debate sobre responsabilização de menores e o papel dos adultos quando a violência envolve seus filhos.
O que fica
A morte de Orelha deixou um vazio físico na Praia Brava, mas abriu um debate que ultrapassa a cidade. O caso reacende a discussão sobre maus-tratos a animais, educação, empatia e a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e responsabilização.
Mais do que buscar culpados, a história de Orelha exige algo mais difícil: reflexão coletiva. Sobre como tratamos os mais vulneráveis — humanos ou não — e sobre que tipo de comunidade estamos construindo.












