A história de Roberto Farias, 19 anos, parece roteiro pronto para cinema — mas aconteceu de verdade. Em uma trilha considerada difícil no Pico Paraná, o jovem acabou abandonado pelo próprio grupo em meio à mata fechada. O que veio depois foram cinco dias perdido, sem comida, sem contato e dependendo apenas de resistência física, calma e instinto de sobrevivência.
Enquanto Roberto lutava para sair vivo da floresta, parte dos colegas fazia algo que chocaria o país depois: piadas e comentários nas redes sociais sobre o desaparecimento. O que poderia ter terminado como tragédia virou um caso de indignação pública — e, inesperadamente, uma virada digna de justiça poética.
Do abandono ao resgate — e à exposição
Resgatado com vida, Roberto passou a ser visto não apenas como vítima de um episódio grave de irresponsabilidade, mas como símbolo de algo maior: resiliência diante da negligência alheia. A internet fez o que sabe fazer bem quando a história é clara — tomou partido.
Foi nesse momento que entrou em cena o marketing.
Quando a marca lê o clima da internet
Atento ao sentimento coletivo, o Burger King convidou Roberto — apelidado carinhosamente de “Betinho” — para estrelar uma campanha publicitária. No comercial, ele aparece devorando dois sanduíches gigantes, enquanto a narração crava, sem dó:
“Esse é o Betinho… que, por motivos óbvios, não vai dividir o lanche com ninguém.”
A frase virou meme. O vídeo viralizou. E a história ganhou um novo capítulo.
De vítima a símbolo
Em poucos dias, Roberto deixou de ser apenas o jovem abandonado na trilha para se tornar um herói improvável da cultura digital brasileira. A campanha foi aplaudida por unir humor, timing e leitura social precisa. Mais do que um cachê, Betinho ganhou algo difícil de comprar: apoio público massivo.
Enquanto isso, os antigos colegas passaram a enfrentar o peso do julgamento social — e possíveis desdobramentos legais. A inversão de papéis foi completa.
A lição que ficou
A história de Roberto Farias não é só sobre marketing bem-feito. É sobre:
- escolher com cuidado quem caminha ao seu lado,
- entender que atitudes têm consequências,
- e aceitar que, às vezes, a vida cobra… e depois recompensa.
No fim, Betinho saiu da mata mais magro, mas voltou maior. E, ironicamente, encontrou fora da trilha algo que não teve lá dentro: gente torcendo por ele.
E sim — de barriga cheia.













